Projeto propõe IPVA zero para motos de até 250cc com mais de 10 anos
Nova proposta busca garantir IPVA zero para motos de até 250cc com mais de 10 anos de fabricação. Entenda o impacto no seu bolso.

Manter um veículo no Brasil nunca foi uma tarefa barata. Entre combustível, manutenção preventiva e taxas anuais, o orçamento mensal do trabalhador acaba ficando sobrecarregado. Para quem depende sobre duas rodas no cotidiano, qualquer alívio financeiro faz uma diferença gigante. É exatamente nessa dor que se encaixa a recente proposta feita pelo deputado Marcos Júnior, que defende a concessão de IPVA zero para motos de até 250 cilindradas que tenham mais de 10 anos de fabricação.
A iniciativa pretende beneficiar diretamente uma parcela imensa da população que utiliza modelos populares para trabalhar em aplicativos de entrega, fazer pequenos deslocamentos ou garantir o sustento da família. Em tempos de inflação acumulada e peças de reposição mais caras, zerar o imposto estadual para motocicletas mais antigas pode significar o respiro financeiro que muitos motociclistas estavam esperando.
O que prevê o projeto de IPVA zero para motos
A proposta apresentada pelo parlamentar busca alterar a cobrança do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores em relação às motocicletas de baixa cilindrada. O foco principal está nos veículos de até 250cc produzidos há mais de uma década. O argumento central é que essas motos já cumpriram grande parte do seu ciclo de depreciação fiscal e hoje cumprem uma função estritamente social e econômica no transporte diário.
Atualmente, as regras de isenção de IPVA variam drasticamente de um estado para outro. Enquanto algumas unidades da federação concedem o benefício para veículos com 10 ou 15 anos de uso, outras exigem que o veículo tenha 20 ou até 25 anos para ficar livre do imposto. A proposta de padronizar ou incentivar o IPVA zero para motos de pequeno porte a partir de 10 anos busca trazer maior justiça tributária a quem usa a moto como ferramenta de trabalho diária.

Como a proposta de IPVA zero para motos pode aliviar o bolso do trabalhador
As motocicletas de até 250 cilindradas representam a imensa maioria da frota circulante nas cidades brasileiras. Modelos clássicos como Honda CG 125, CG 150, Honda Bros, Yamaha YBR 125 e Yamaha Fazer 250 dominam as ruas. Muitos desses veículos, fabricados há mais de 10 anos, continuam em pleno funcionamento e servem como principal meio de transporte para trabalhadores de baixa renda e entregadores autônomos.
Para esse perfil de condutor, a cobrança do IPVA pesa de forma desproporcional. Embora o valor absoluto do imposto de uma moto antiga seja menor do que o de um carro zero quilômetro, o impacto percentual na renda de quem ganha um ou dois salários mínimos é expressivo. Com o dinheiro economizado do imposto, o proprietário pode investir no que realmente importa para a segurança: manutenção mecânica preventiva, troca de pneus desgastados e equipamentos de proteção de qualidade.
Principais beneficiados pela medida
Entregadores de aplicativo: Profissionais que percorrem dezenas de quilômetros diariamente e precisam otimizar cada centavo dos seus ganhos.
Trabalhadores urbanos: Pessoas que utilizam a moto exclusivamente para o deslocamento entre a residência e o local de trabalho.
Moradores de áreas periféricas e rurais: Regiões onde o transporte público é deficiente e a motocicleta de baixa cilindrada é a única alternativa viável de mobilidade.
Proprietários de modelos consagrados: Donos de motos confiáveis produzidas até 2014 que ainda possuem longa vida útil pela frente.

A diferença entre isenção de IPVA e outras taxas anuais
É vital ressaltar um ponto que gera muita confusão entre os motociclistas: a eventual aprovação do IPVA zero para motos com mais de 10 anos não significa que o proprietário deixará de pagar absolutamente nada para rodar legalmente. O IPVA é apenas um dos tributos cobrados anualmente pelos estados.
Mesmo com a isenção da alíquota do imposto predial e territorial sobre o veículo, o condutor continuará sendo obrigado a quitar a taxa de licenciamento anual do Detran e eventuais custos administrativos relativos à emissão do CRLV digital. Além disso, a moto precisa estar rigorosamente em dia com vistorias, quando exigidas pela legislação local, e livre de multas de trânsito pendentes para poder circular dentro da lei.
O cenário atual do IPVA para motocicletas no Brasil
O debate sobre a desoneração de veículos de duas rodas ganhou força no país nos últimos anos. Vale lembrar que o Senado Federal já havia aprovado a Resolução 15/2022, que autorizou os estados a reduzirem para zero a alíquota do IPVA para motos de até 170 cilindradas. No entanto, por se tratar de uma alíquota facultativa, a adesão ficou a critério de cada governo estadual.
A nova proposta trazida por Marcos Júnior amplia esse teto de cilindrada para 250cc e estabelece o critério temporal de 10 anos de fabricação. Isso inclui no pacote uma gama muito maior de modelos de médio porte muito populares no mercado de usados, aumentando significativamente a abrangência do benefício financeiro para a população.
Quais modelos poderiam ser contemplados?
Se a regra for aplicada considerando o ano corrente e a limitação de 250cc para veículos com uma década de uso, diversos modelos icônicos ficariam isentos. Entram na lista motos lançadas até 2014, como:
Honda CG 150 Titan e Fan (versões até 2014)
Honda CB 300R (embora tenha 291cc, abre debate se entra em categorias correlatas, mas a princípio focaria nas Twister 250 antigas)
Honda CBX 250 Twister (modelos até 2008)
Yamaha Fazer 250 (modelos até 2014)
Yamaha YBR 125 e Factor 125
Honda NXR 150 Bros
Suzuki Intruder 125 e Yes 125
Quais são os próximos passos da tramitação?
Como toda proposta legislativa, o projeto precisa passar pela análise de comissões temáticas para avaliar seu impacto orçamentário e sua constitucionalidade. Por se tratar do IPVA, que é um imposto de competência estadual, a medida exige articulação técnica para demonstrar que a perda de arrecadação direta será compensada pelo estímulo à economia local e pelo combate à inadimplência.
Muitos proprietários de motos antigas acabam deixando de pagar o documento justamente pelo acúmulo de débitos que superam o valor de mercado do próprio veículo. Zerar a alíquota para motos de mais de 10 anos pode incentivar esses condutores a regularizarem a situação do licenciamento, trazendo veículos que estavam na informalidade de volta à legalidade no trânsito.
Acompanhar o andamento desse projeto é fundamental para quem tem uma guerreira de duas rodas na garagem e deseja reduzir custos fixos anuais.














